Dia dos Pais deve repetir vendas de 2015

No entanto, se considerada a inflação acumulada em 12 meses (9,4%), o varejo deverá arcar com uma queda de 8% no faturamento do período

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A maioria dos lojistas gaúchos está otimista em relação às vendas do comércio para o Dia dos Pais. Pesquisas realizadas pelas entidades do setor apontam que a comemoração deverá movimentar, no mínimo, os mesmos valores de 2015, mantendo uma certa estabilidade. No entanto, se considerada a inflação acumulada em 12 meses (9,4%), o varejo deverá arcar com uma queda de 8% no faturamento do período.
O resultado aguardado é reflexo de um conjunto de variáveis econômicas restritivas, tais como a taxa de desocupação elevada (7,50%), a queda da massa real de salários (-3,40%), o pessimismo das famílias no que se refere à intenção do consumo (55,5 pontos) e a alta taxa de juros à pessoa física (71,72%), enumera o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn.
O dirigente ressalta que o desempenho dos varejistas está bastante vinculado ao que acontece no mercado de trabalho. “O número de pessoas que deverá presentear seus pais não muda, no entanto o recurso está mais escasso, o que leva à uma redução do ticket médio das compras”, explica Bohn. Ele avalia que as vendas do comércio gaúcho voltadas para a data vão seguir a tendência negativa verificada no varejo, que deverá encerrar o ano com o pior resultado em mais de uma década. Na contramão, as demais entidades do setor acreditam em uma retomada, ainda que tímida, principalmente para o ramos de confecções.
“Os fatores macroeconômicos estão mudando: a confiança do consumidor vem melhorando, e já registramos alguma queda na inadimplência”, comenta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA), Alcides Debus. Conforme o dirigente, um levantamento encomendado pela entidade em parceria com o Sindilojas Porto Alegre, realizado em junho deste ano, ouviu 300 pessoas, entre homens e mulheres, acima de 18 anos (de todas as classes econômicas) em ruas e shoppings da Capital. O estudo constatou que a comemoração deve movimentar R$ 56,77 milhões, praticamente o mesmo saldo de 2015.
Na avaliação de Debus, apesar de a projeção de vendas não apontar crescimento, a expectativa é favorável. “Mesmo com o aumento da inflação e a promessa de parcelamento de salários dos servidores públicos estaduais, mais uma vez, o lado emotivo da data prevalece e mostra que os consumidores podem até dividir o custo do presente com familiares ou escolher itens de menor valor, mas pai é pai, e nunca deixa de ser presenteado”, comenta. De acordo com a pesquisa, o valor do ticket médio das compras do período irá girar em torno de R$ 133,00.
Um fator positivo, na visão do presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse, é que o inverno deste ano se mantém rígido, o que estimula a compra por roupas e calçados, a maioria ainda em promoção, devido às liquidações. “Estamos enfrentando um ano bem difícil, e os lojistas precisam vender. Por isso, será possível encontrar bons descontos, de até 60% ou 70%”, destaca o dirigente.
Debus completa que o vestuário foi, novamente, o segmento mais citado pelos consumidores que afirmam presentear os pais no próximo dia 14. “O produto masculino é bastante clássico, tem padrão, então é fácil agradar um homem com uma peça de roupa como presente”, sugere. Bohn, por sua vez, destaca que os vinhos também devem ter saída das prateleiras. “Graças ao clima, haverá alguma boa notícia para determinados segmentos, em vista da sazonalidade.”

Cerca de 7% dos consumidores gaúchos vão comprar os presentes em lojas virtuais

Segundo a pesquisa realizada pela CDL-POA em parceria com o Sindilojas Porto Alegre, a maior parte dos consumidores que irão comprar presentes para o Dia dos Pais deverá adquirir os regalos em shoppings (58%) e lojas de rua (32%). O levantamento aponta que as compras pela internet deverão representar 7% dos produtos comercializados para a data. “Cresceu em 50%, frente ao ano passado, o número de pessoas que realizarão as compras on-line”, aponta o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse.
O dirigente lembra que, com a concorrência em vista da crise, não basta ter o produto certo, o preço justo e as melhores condições de pagamento. “Para que o cliente compre, é fundamental ser bem recebido pela equipe da loja”, comenta. Segundo ele, mais de 85,38% dos entrevistados pelo estudo das duas entidades já deixaram de comprar por serem mal recepcionados na loja. “Caprichar no atendimento é primordial e fideliza o consumidor”, observa o presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer. A saída de presentes para o Dia dos Pais representa um incremento de 6% nos valores vendidos durante o mês de agosto.
No decorrer da última semana, a AGV compilou dados de pesquisas realizadas pelas 130 entidades de lojistas que agrega no Estado e apurou que o faturamento do setor com as vendas do Dia dos Pais deve chegar a R$ 345 milhões. Assim, como na Capital, os números repetem o desempenho do mesmo período em 2015. “Há um conjunto de fatores que refletem no comportamento anímico do consumidor. Hora é o poder de compra afetado pela alta taxa de desemprego e o parcelamento de salário do funcionalismo público, em outra o ambiente da segurança pública”, comenta. Conforme dados da pesquisa feita pela entidade para descobrir a intenção de compras dos consumidores para a data, 87,2% dos gaúchos pretendem presentear os pais. O levantamento apontou que 52,2% compraram o presente na primeira semana de agosto, e que 48,3% farão isso na véspera da data. Roupas (44,2%), acessórios (20,9%) e livros (14%) foram os itens mais citados por quem afirma que irá presentear o pai.
No Interior, o valor do ticket médio será de no máximo R$ 100,00. “No ano passado, as vendas no Dia dos Pais foram muito baixas”, comenta o presidente da Federação de Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch. Segundo ele, neste ano, as pequenas empresas têm percebido “uma pequena melhora nas vendas”. “O frio das últimas semanas ajudou, e as perspectivas são mais positivas para a data comemorativa deste ano.” Koch afirma que um levantamento realizado pela FCDL-RS aponta que, em alguns segmentos, como lojas de roupas, as vendas devem subir de 15% a 30%. “Nessa época do ano, os consumidores ainda compram itens para o inverno”, destaca o dirigente.
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